Durante anos, a moda foi dominada por uma estética quase artificial. Looks impecáveis, perfeitamente combinados, pensados da cabeça aos pés para parecerem “certos” — e, principalmente, fotogênicos. O chamado look montado virou regra: nada fora do lugar, nada que parecesse acidental. Mas algo mudou. E mudou forte.
Em 2026, a moda real não quer mais parecer ensaiada. Ela quer parecer vivida.
Quando o excesso de perfeição cansou
O look montado nasceu junto com o auge das redes sociais. Combinações óbvias, peças usadas exatamente como a tendência mandava, acessórios calculados. Tudo bonito — mas previsível. Com o tempo, essa estética começou a gerar um efeito colateral: cansaço visual e emocional.
A perfeição constante deixou de parecer aspiracional e passou a soar distante. Pouco humana. Pouco verdadeira.
O resultado? Um movimento silencioso de retorno ao imperfeito.
A imperfeição como nova estética de estilo
A moda atual abraça o que antes era considerado “erro”:
- Camisas levemente amarrotadas
- Calça longa demais, quase tocando o chão
- Mistura de peças caras com itens comuns
- Looks que parecem improvisados, mas não descuidados
Essa nova estética não é sobre parecer bagunçado — é sobre parecer autêntico. Existe intenção, mas ela não grita
O que antes era chamado de “desleixo” agora comunica naturalidade.
Menos combinação, mais personalidade
O fim do look montado também marca uma virada importante: a moda deixou de ser sobre combinar tudo e passou a ser sobre expressar quem você é.
Hoje, um look interessante não é aquele em que tudo conversa perfeitamente, mas aquele que revela algo do indivíduo:
- Uma jaqueta herdada sobre uma camiseta simples
- Um sapato elegante com roupa casual
- Um acessório que parece não pertencer ao conjunto, mas dá identidade
É nesse contraste que o estilo aparece.
A influência do “anti-trend”
Outro fator importante é o crescimento do chamado anti-trend. Pessoas que conscientemente rejeitam seguir tendências ao pé da letra. Elas observam, absorvem, adaptam — mas não copiam.
Esse comportamento fortaleceu a ideia de que estilo não nasce da regra, mas da quebra dela.
E o look montado, por definição, é regra demais.
Moda real para pessoas reaisA moda imperfeita também conversa melhor com a vida real. Com quem anda, trabalha, se move, repete roupa. Looks que sobrevivem fora da foto, fora do espelho, fora da pose.
É a roupa que amassa quando você senta. Que muda quando você anda. Que envelhece com você.
E isso não é um defeito — é exatamente o ponto.
O luxo do imperfeito
Curiosamente, essa estética também redefiniu o luxo. Hoje, parecer “arrumado demais” pode soar menos sofisticado do que parecer naturalmente elegante.
O novo luxo está em:
- Tecidos bons, mas não engomados
- Cortes interessantes, não óbvios
- Peças que não gritam marca
- Looks que parecem espontâneos
A imperfeição virou sinal de segurança.
Quem sabe quem é, não precisa provar.
O que esse movimento diz sobre 2026O fim do look montado não é só sobre moda. É reflexo de um desejo maior: menos performance, mais verdade. Menos aprovação externa, mais conforto interno.
A moda real voltou a ser humana — e, por isso mesmo, imperfeita.E talvez esse seja o novo ideal: não parecer perfeito, mas parecer você.

